segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Universos fictícios: Do Android Dream of Electric Sheep? / Blade Runner

        Olá pessoas, irei hoje, a exemplo do sr. Maxa, estrear meus posts de fato (que a Intimação não conta) expressando meu gosto por nerdices e agregados. Opto por uma temática de Universos Fictícios que dá margem a enumerar e introduzir algumas produções fantasiosas da mídia geral, desde filmes a séries, passando por animações, HQ's e livros.

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capa do livro de P.K.Dick
      Sem delongas, o primeiro a ser comentado é ligeiramente conhecido e pode já estar presente no imaginário de alguns: o universo pós-nuclear de "Do Android Dream of Electric Sheep?" ou Blade Runner. Trata-se de um romance de ficção científica de 1968, escrito por Philip K. Dick, o qual foi, felizmente, estendido e adaptado para o cinema hollywoodiano pelo célebre diretor Ridley Scott, em 1982. Numa pincelada superficial, se tem um enredo enigmático sobre um planeta Terra desolado; os EUA, ambiente da história, estão transbordando de luzes e veículos voadores (concretizados no longa-metragem por maquetes e técnicas tradicionais das produções sci-fi). É lindo e impactante perceber como paira no ar um clima sombrio (Noir): a urbanização exagerada e a tecnologia, antigos símbolos de progresso, impõe um sentimento opressor e estranhamente inumano que nos impele à pergunta típica da época: "o progresso nos levará à auto-destruição?". 
         Não comentarei sobre a história do filme em si, uma vez que talvez seja mais proveitoso mostrar um pouquinho do que senti ao ler e assistir conteúdos sobre o universo inaugurado por Philip e enriquecido por Ridley Scott. É necessário, para tanto, explicar como Los Angeles, local principal da história, é uma representação de fracasso total, de derrota da perspectiva otimista de que nós, a humanidade, poderíamos controlar a natureza e, assim, solucionarmos todas as instâncias, das filosóficas às práticas, de nossos problemas. A cidade dos anjos está imersa numa situação insustentável de poluição nuclear, o que conduz a humanidade à doença e à esterilidade. Um inferno poeirento e abandonado: é isto que restou do sonho humano de legitimar um individualismo extremo e conquistar sua essência numa busca indeterminada pelo "progresso científico".
Los Angeles
     
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     A presença determinante no Universo Blade Runner são os replicantes, seu papel social e as problemáticas daí originadas. Primeiramente, replicantes são, em essência, seres orgânicos indistinguíveis dos humanos criados por meios artificiais pela corporação Tyrell e outros grandes fabricantes. Seu status social é de propriedade, quer dizer, são escravos, e sua função inicial era a de mergulhar e combater em conflitos de intensidade e escala inéditas, batalhas estas que conduziram o globo terrestre ao estado mórbido o qual nos é apresentado no filme. Após, no entanto, o término da guerra, os replicantes tiveram modificações fundamentais em sua função: ramificaram-se em trabalhos perigosos demais, servis ou de prazer. Há, porém, uma restrição: a presença de replicantes não é tolerada no planeta Terra (sob pena de execução), mas somente nas colônias espaciais - estas símbolo de esperança e recomeço da humanidade.
Deckard interpretado por Harrison Ford
     Finalmente, Blade Runner é uma profissão especializada na caça e extermínio de replicantes ilegais vagando pelo planeta. Tal prática é, aliás, legalmente nomeada, não de "execução", mas de "afastamento", o que marca fortemente o caráter de propriedade atribuído aos replicantes.
    Quanto a aspectos técnicos, os replicantes mais recentes possuem implantes de memória e duração de quatro anos; pensam, sentem, choram, riem: expressam tamanha humanidade que o lema elaborado pela Tyrell Corp. foi "mais humanos que os humanos". Enfim, são seres vivos e inteligentes. "Blade Runner/Do Antroid Dream of Electric Sheep?" apresentam conflitos éticos e morais extremos nesta instância da história, sendo a questão mais impactante, justamente: "o que difere um replicante de um humano ou o que justifica o chamado afastamento?". Deckard, o protagonista do romance/longa, tenta justificar seus extermínios afirmando que os replicantes são destituídos de empatia. Philip K. Dick, porém, busca, por outro viés, diferenciar um ser programável e reflexivo (androide) de um ser humano: para ele, androide é metáfora de pessoa fisiologicamente humana, mas com comportamento desumano; o autor também afirma “(…) o que define androide e humano não é a sua origem, maquínica ou orgânica, mas sim as ações, rígidas ou empáticas, perante os seus semelhantes. Um androide pode agir humanamente tanto quanto um humano [...] pode comportar-se como um androide” (Dick, 2006: 13-14)". Assim, se a diferença não pertence à ordem da natureza, mas sim à ordem da ação, poderia um replicante possuir mais humanidade que um humano, em função de sua história pessoal? É legítimo caçar replicantes? Bem, a partir dessas dúvidas na cabeça, vale conhecer por si mesmo as produções.

     Espero que não tenha sido muito chato. rsrs
     Abraço, gente!






      


    

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