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| capa do livro de P.K.Dick |
Não comentarei sobre a história do filme em si, uma vez que talvez seja mais proveitoso mostrar um pouquinho do que senti ao ler e assistir conteúdos sobre o universo inaugurado por Philip e enriquecido por Ridley Scott. É necessário, para tanto, explicar como Los Angeles, local principal da história, é uma representação de fracasso total, de derrota da perspectiva otimista de que nós, a humanidade, poderíamos controlar a natureza e, assim, solucionarmos todas as instâncias, das filosóficas às práticas, de nossos problemas. A cidade dos anjos está imersa numa situação insustentável de poluição nuclear, o que conduz a humanidade à doença e à esterilidade. Um inferno poeirento e abandonado: é isto que restou do sonho humano de legitimar um individualismo extremo e conquistar sua essência numa busca indeterminada pelo "progresso científico".
| Los Angeles |
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A presença determinante no Universo Blade Runner são os replicantes, seu papel social e as problemáticas daí originadas. Primeiramente, replicantes são, em essência, seres orgânicos indistinguíveis dos humanos criados por meios artificiais pela corporação Tyrell e outros grandes fabricantes. Seu status social é de propriedade, quer dizer, são escravos, e sua função inicial era a de mergulhar e combater em conflitos de intensidade e escala inéditas, batalhas estas que conduziram o globo terrestre ao estado mórbido o qual nos é apresentado no filme. Após, no entanto, o término da guerra, os replicantes tiveram modificações fundamentais em sua função: ramificaram-se em trabalhos perigosos demais, servis ou de prazer. Há, porém, uma restrição: a presença de replicantes não é tolerada no planeta Terra (sob pena de execução), mas somente nas colônias espaciais - estas símbolo de esperança e recomeço da humanidade.
| Deckard interpretado por Harrison Ford |
Quanto a aspectos técnicos, os replicantes mais recentes possuem implantes de memória e duração de quatro anos; pensam, sentem, choram, riem: expressam tamanha humanidade que o lema elaborado pela Tyrell Corp. foi "mais humanos que os humanos". Enfim, são seres vivos e inteligentes. "Blade Runner/Do Antroid Dream of Electric Sheep?" apresentam conflitos éticos e morais extremos nesta instância da história, sendo a questão mais impactante, justamente: "o que difere um replicante de um humano ou o que justifica o chamado afastamento?". Deckard, o protagonista do romance/longa, tenta justificar seus extermínios afirmando que os replicantes são destituídos de empatia. Philip K. Dick, porém, busca, por outro viés, diferenciar um ser programável e reflexivo (androide) de um ser humano: para ele, androide é metáfora de pessoa fisiologicamente humana, mas com comportamento desumano; o autor também afirma “(…) o que define androide e humano não é a sua origem, maquínica ou orgânica, mas sim as ações, rígidas ou empáticas, perante os seus semelhantes. Um androide pode agir humanamente tanto quanto um humano [...] pode comportar-se como um androide” (Dick, 2006: 13-14)". Assim, se a diferença não pertence à ordem da natureza, mas sim à ordem da ação, poderia um replicante possuir mais humanidade que um humano, em função de sua história pessoal? É legítimo caçar replicantes? Bem, a partir dessas dúvidas na cabeça, vale conhecer por si mesmo as produções.
Espero que não tenha sido
Abraço, gente!
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