Esqueço de muitas coisas da vida, a não ser que elas me relembrem constantemente de que elas próprias existem. Esqueço de trabalhos, de trocar lâmpadas, de datas de aniversários. Porém não esqueço de memórias. Não esqueço de dores. Não esqueço de vergonhas e ódio. Os sentimentos que deixam sua marca em uma alma.
Não tenho o que reclamar da minha vida. Tenho amigos incríveis. Adoro meu curso na faculdade. A situação em casa nunca esteve melhor. Faço o que gosto e não me sinto mal por isso. Então por que sinto esse vazio? Certo, pergunta idiota... Eu sei por que sinto esse vazio... Sei, e tento fingir que não, sei e tento esquecer disso e me concentrar no que eu tenho, como qualquer um faria. Mas eu não sou qualquer um. Eu sou ingrato, sempre querendo mais. Não consigo encontrar a solução. A resposta para a pergunta "O que eu faço de errado?" Embora muitos me digam que não há nada errado. Sim... Há...
São os sinais... Os momentos em que o exterior frio e seco esconde as fraquezas na estrutura. Esconde as rachaduras na fundação. Sinto dúvida. Será que sou uma pessoa feliz com momentos tristes. Ou uma pessoa triste com eventuais momentos felizes? Quem vê por fora vê a primeira. Mas cada vez mais penso que a segunda é a mais correta.
Não pensar, ignorar. Ja não consigo mais fazer isso. A cada momento de distração, entre risadas e comentários, entre anotações numa aula ou cliques no PC, entre abrir e fehcar o celular ou entre goles d'água. A cada momento o pensamento, o vazio aparece, volta, me lembra de sua existência. Então sinto tristeza, preenchendo o espaço vazio que tem em minha alma, que deveria ser preenchido por outra coisa. E sinto ódio. Raiva pura e concentrada. De mim. Porque não posso ser melhor? Porque não percebo onde estou errando? Porque as memórias felizes me trazem tristeza ao invés de felicidade?
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